Porsche 911 SC 3.0 1980: ficha técnica completa do clássico boxer arrefecido a ar. Potência, desempenho, consumo, aerodinâmica, chassi e preços, na época e hoje.

Porsche Antigo ao Porsche atual – Natália Svetlana – Colunista
Imagens The Garage
Ficha Técnica Porsche 911 SC 3.0 (1980) 6 cilindros opostos (boxer), traseiro, arrefecido a ar

Visão geral
- Carroceria: Cupê 2+2 (Targa disponível em 1980; Cabriolet só em 1983);
- Plataforma: Série G (para-choques com absorvedores);
- Configuração: Motor traseiro, tração traseira (RR);
- Código do modelo: 911 SC (“Super Carrera”), produzido 1978–1983;
- Lugar de fabricação: Stuttgart-Zuffenhausen, Alemanha;
- Carroceria totalmente galvanizada (a Porsche já galvanizava integralmente desde meados de 1976).
Motor
- Tipo: 6 cilindros opostos (flat-6/boxer), arrefecido a ar, comando simples por cabeçote (SOHC), 2 válvulas por cilindro (12v);
- Cilindrada: 2.994 cm³;
- Diâmetro x curso: 95,0 mm × 70,4 mm;
- Taxa de compressão: 9,3:1 (RoW/Europa) | ~8,6:1 (EUA/Canadá, emissões);
- Alimentação: Injeção mecânica contínua Bosch K-Jetronic (CIS);
- Ignição: Bosch CDI, 1 vela por cilindro;
- Lubrificação: Cárter seco, com radiador de óleo frontal; capacidade total de óleo ~11–12 L.
- Potência (1980):
- Europa/RoW: 188 cv (DIN) a ~5.500 rpm ≈ 138 kW;
- EUA/Canadá: 180 hp (SAE net) a ~5.500 rpm ≈ 134 kW (~182 cv DIN).
- Torque: ~27,0–27,5 kgfm a ~4.200 rpm (varia por mercado).
Transmissão

- Câmbio: Manual 5 marchas (Porsche 915), engates por varão;
- Tração: Traseira;
- Diferencial: Convencional; autoblocante ZF 40% opcional;
- Relação final típica: ~3,875 (8:31).
Chassi, Suspensão e Freios
- Estrutura: Monobloco em aço, totalmente galvanizado;
- Suspensão dianteira: McPherson com barras de torção, barra estabilizadora;
- Suspensão traseira: Braços semiarrastados com barras de torção, barra estabilizadora;
- Direção: Pinhão e cremalheira (sem assistência);
- Freios: Discos ventilados nas 4 rodas, pinças fixas (sistema sem ABS).
- Rodas/Pneus de fábrica:
- Fuchs 15″: 6J x 15 (diant.) e 7J x 15 (tras.);
- Pneus típicos: 185/70 R15 (diant.) e 215/60 R15 (tras.);
- Opcional: Fuchs 16″ (larguras e medidas variáveis por pacote/mercado).
Dimensões e Capacidades
- Comprimento: ~4.290 mm;
- Largura: ~1.650 mm;
- Altura: ~1.320 mm;
- Entre-eixos: 2.272 mm;
- Bitola (aprox.): 1.370 mm (diant.) / 1.380 mm (tras.);
- Peso em ordem de marcha (típico): 1.160–1.200 kg (cupê); Targa ligeiramente superior;
- Tanque de combustível: 80 L;
- Porta-malas dianteiro: ~140 L;
- Distribuição de peso (aprox.): 41% (frente) / 59% (traseira).
Aerodinâmica
- Coeficiente de arrasto (Cd): ~0,40 (Série G);
- Área frontal estimada: ~1,9–2,0 m²;
- Arrasto (CdA): ~0,76–0,80 m².
Desempenho (valores típicos de época)

- Velocidade máxima:
- Europa (188 cv): ~225 km/h;
- EUA (180 hp): ~215–220 km/h.
- 0–100 km/h:
- Europa (188 cv): ~6,9–7,2 s;
- EUA (180 hp): ~7,3–7,6 s;
- 400 m (¼ de milha): ~15,0–15,5 s;
- 0–1000 m: ~27–28 s.
Consumo e Autonomia (estimativas realistas de uso)
- Urbano: 14–16 L/100 km (6,3–7,1 km/L);
- Rodoviário a 100–110 km/h: 9–10 L/100 km (10–11 km/L);
- Médio/Combinado: 11–12 L/100 km (8,3–9,1 km/L);
- Autonomia teórica (tanque 80 L):
- Urbano: ~500–570 km;
- Combinado: ~650–720 km;
- Rodoviário: ~800–880 km.
Equipamentos e Itens de Série (podem variar por mercado)

- Bancos esportivos reguláveis; volante de 3 raios;
- Vidros e travas (elétricos ou manuais conforme pacote);
- Ar-condicionado opcional na maioria dos mercados;
- Retrovisores externos ajustáveis (elétricos em alguns pacotes);
- Desembaçador traseiro; limpador traseiro opcional (Targa);
- Computador de bordo simples (relógio/conta-giros proeminente);
- Rádio/cassete de época; sistemas de som eram opcionais e variáveis.
Preços – “na época” (1980) e mercado de colecionadores (2025)
- Preço zero-km em 1980 (valores médios de referência):
- EUA (MSRP base Coupé): cerca de US$ 27.500–28.500;
- EUA (Targa): cerca de US$ 28.500–29.500;
- Alemanha (DM): faixa ~DM 47.000–50.000 (dependendo de impostos/opcionais);
- Brasil (1980): não houve importação oficial; unidades que entraram foram por importação independente, com custo final muito superior ao preço de origem.
- Preço no mercado de clássicos (2025):
- Brasil: R$ 500 mil a R$ 900 mil para exemplares bons/excelentes; carros excepcionais, muito originais e com baixa km podem ultrapassar R$ 1,1 milhão;
- Mercado internacional: US$ 55 mil a US$ 95 mil (boas condições); baixíssima km/histórico impecável pode superar US$ 120–140 mil;
(Valores variam fortemente por originalidade, histórico, cor, especificação, país e qualidade da restauração.)
Observações de autenticidade/históricas
- Em 1980 a 911 SC recebeu ajustes de emissões em alguns mercados; por isso potência e consumo variam entre Europa/RoW e EUA/Canadá;
- O câmbio 915 define o caráter do SC: relações curtas, engates mecânicos e robustez; o LSD ZF eleva a eficácia em uso esportivo;
- A galvanização integral foi crucial para a longevidade da carroceria nos SC, um marco entre os 911 clássicos.
Catálogo de Cores Originais – Porsche 911 SC 3.0 (1980)

Nos anos de produção do 911 SC, a Porsche oferecia uma ampla variedade de cores sólidas, metálicas e especiais.
Em 1980, os catálogos incluíam tons clássicos herdados dos anos 70 e novidades que antecipavam a paleta dos anos 80.
Observação
Cada código de cor podia ter pequenas variações de nome dependendo do mercado (EUA/Europa). Muitas unidades SC de 1980 são hoje mais valorizadas quando preservam a pintura original de fábrica ou em cores raras como Ice Green Metallic, Oak Green ou Petrol Blue.
Catálogo de Cores — Porsche 911 SC 3.0 (1980)
| Amostra | Nome | Código | Acabamento |
|---|---|---|---|
| Grand Prix White | 908 | Sólida | |
| Guards Red | 027 | Sólida | |
| Black | 700 | Sólida | |
| Talbot Yellow | 106 | Sólida | |
| Arrow Blue | 305 | Sólida | |
| Cashmere Beige | 516 | Sólida | |
| Silver Metallic | 936 | Metálica | |
| Platinum Metallic | 655 | Metálica | |
| Petrol Blue Metallic | 376 | Metálica | |
| Light Blue Metallic | 335 | Metálica | |
| Copper Brown Metallic | 443 | Metálica | |
| Mocha Brown Metallic | 451 | Metálica | |
| Ice Green Metallic | 250 | Metálica | |
| Oak Green Metallic | 264 | Metálica | |
| Anthracite Metallic | 708 | Metálica | |
| Chiffon White | 182 | Especial (sob encomenda) | |
| Continental Orange | 107 | Especial (sob encomenda) | |
| Hellgelb (Light Yellow) | 117 | Especial (sob encomenda) | |
| Paint to Sample | — | Especial (fora de catálogo) |
*As tonalidades exibidas são aproximações em RGB/HEX para uso digital. A aparência pode variar conforme tela e tema do site.
Posicionamento do Porsche 911 SC 3.0 (1980) no mercado e dentro da marca
O Porsche 911 SC 3.0 de 1980 ocupava uma posição estratégica dentro da linha 911 e também no mercado internacional de esportivos de luxo.
Quando foi lançado em 1978, o SC (“Super Carrera”) tinha como objetivo simplificar a gama e substituir, de forma unificada, o 911 básico e a versão Carrera 3.0.

Dessa forma, em 1980 o SC já se consolidava como modelo central da linha 911, situando-se acima dos modelos 924 e 928 de entrada na marca, mas ainda abaixo das edições mais radicais e limitadas (como o 911 Turbo 930).
No cenário de mercado, o 911 SC foi pensado para oferecer uma combinação equilibrada de esportividade, confiabilidade e usabilidade diária.
O motor 3.0 boxer arrefecido a ar, aliado ao câmbio manual de 5 marchas, proporcionava desempenho consistente, mas sem o caráter explosivo e exigente do Turbo.
Essa fórmula fez do SC um carro mais acessível ao público-alvo da Porsche, principalmente profissionais e entusiastas que buscavam um esportivo sofisticado, mas utilizável tanto em estradas quanto no cotidiano urbano.
Internamente, o 911 SC de 1980 consolidava-se como o carro mais vendido da marca na época, representando a continuidade do DNA Porsche enquanto a empresa explorava novos horizontes com o 928 V8 e o 924/944 de motor dianteiro.
Apesar das tentativas de reposicionar o 928 como o sucessor do 911, o sucesso de vendas do SC provou que o público ainda preferia o clássico layout traseiro com motor boxer a ar, reforçando a identidade do 911 como símbolo da marca.

Assim, em 1980, o Porsche 911 SC 3.0 era visto como o pilar central da gama Porsche, equilibrando tradição e modernidade, sendo um dos principais responsáveis pela sobrevivência e fortalecimento da linhagem 911 nos anos seguintes.
Hoje, seu papel é reconhecido como fundamental para manter vivo o mito do 911 em um momento de grandes incertezas dentro da própria empresa.
Número de unidades que a marca Porsche Vendeu no ano de 1980
Porsche — Divisão de Vendas por Modelo (1980)
| Modelo | Unidades (estim.) | Participação | Participação (visual) | Observações |
|---|---|---|---|---|
| 924 | ≈ 33.500 | ≈ 68% | Modelo de maior volume e porta de entrada da marca no período. | |
| 911 SC (3.0) | ≈ 10.800 | ≈ 22% | Ícone da marca; maior prestígio, menor volume que o 924. | |
| 928 | ≈ 4.700 | ≈ 10% | Gran turismo V8 topo de linha; menor participação em volume. |
*Participações arredondadas. As cifras podem variar por recorte (ano-calendário vs. ano-modelo) e por mercado.
Contexto importante:
- O 911 SC representava entre 20% e 25% das vendas globais da Porsche naquele ano;
- Foi o modelo de maior prestígio e imagem da marca, mas não o de maior volume – papel que na virada dos anos 70/80 coube ao 924, mais barato e voltado para ampliar a base de clientes;
- Esses números foram fundamentais para que a Porsche se mantivesse financeiramente estável no início dos anos 80.
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