Porsche antigo • Dossiê técnico
Porsche 911 S Targa 2.2 1970: 180 cv, 230 km/h e o 911 que virou linha de corte na história
Na virada de 1969 para 1970, a Porsche precisava dar o próximo passo no projeto 911. O resultado foi o 911 S Targa 2.2, com o novo motor Type 911/02 de 180 cv, injeção mecânica Bosch e velocidade máxima ao redor dos 230 km/h. Leve, afiado e já com a maturidade da década de 70, ele virou uma espécie de “linha de corte” na cronologia do Porsche 911 antigo.
O salto de desempenho obrigou a engenharia a redesenhar parâmetros de chassi, freios e suspensão. O 911 S Targa 2.2 entregava mais giro, mais torque e uma faixa útil de potência muito mais agressiva, sem abrir mão da dirigibilidade que consolidaria o 911 como ícone mundial. Para quem atua em mecânica, preparação, restauração e coleção, este é um daqueles carros que estabelecem um novo baseline técnico.
1. O motor 2.2 S Type 911/02: o coração que reposicionou o 911
O boxer de seis cilindros, agora com 2.195 cm³, não era apenas uma evolução em tamanho. O código 911/02 identifica o conjunto de peças internas mais robustas, comando de válvulas agressivo, taxa elevada e mapa específico da injeção mecânica Bosch. A meta era clara: mais potência em alta rotação e entrega imediata de torque em médios giros.
Na prática, o 911 S Targa 2.2 fazia de 0–100 km/h em cerca de 7 segundos e cruzava 230 km/h com relativa facilidade — números que, para o final dos anos 60, colocavam o modelo em outro patamar frente a concorrentes europeus. Para o universo do Porsche antigo, é o motor que “liga” o passado dos 2.0 e dos primeiros 2.2 ao avanço que levaria aos 2.4 e 2.7 RS.
2. Chassi, suspensão e aerodinâmica: por que este Targa anda muito mais do que promete
Para suportar os 180 cv e a velocidade máxima ampliada, a Porsche revisou o setup de suspensão. O carro recebeu barras de torção recalibradas, amortecedores mais firmes e ajustes de geometria dianteira e traseira para reduzir a tendência de “leva” em alta velocidade. O objetivo era simples: manter a assinatura dinâmica do 911, porém com muito mais reserva de estabilidade.
Aerodinamicamente, o 911 seguia fiel à silhueta clássica, mas com refinamentos de fluxo que ajudavam a reduzir sustentação no eixo dianteiro. O Cx em torno de 0,39, aliado ao baixo peso (cerca de 1.020 kg), explicam por que o comportamento em curvas rápidas é tão elogiado por pilotos e colecionadores que utilizam o carro em track days ou provas históricas.
3. Por dentro: ergonomia alemã, painel completo e acabamento marrom clássico
No interior, o 911 S Targa entrega o pacote típico da Porsche do período: cinco mostradores alinhados, volante esportivo de três raios e banco com bom apoio lateral. As versões com interior marrom se tornaram queridinhas dos colecionadores pela combinação com tons vibrantes de carroceria, como o verde limão metálico.
O painel acolchoado, os comandos analógicos de fácil leitura e o posicionamento do câmbio manual de 5 marchas constroem uma experiência de cockpit que permanece moderna até hoje. Em termos de percepção de valor, isso reforça o posicionamento do carro como ativo de coleção premium.
4. Mercado: quanto valia zero km e quanto vale hoje o 911 S Targa 2.2
Lançado com preço aproximado de US$ 6.350 no final dos anos 60, o 911 S Targa 2.2 era um produto de nicho, voltado a clientes que queriam performance real em um esportivo de uso diário. Décadas depois, essa combinação de rarefação + engenharia avançada o colocou na zona nobre do Porsche 911 antigo.
Hoje, um exemplar matching numbers, com histórico consistente e restauração de alto nível, costuma oscilar entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,8 milhão, dependendo de documentação, originalidade e configuração de cor. No portfólio de qualquer coleção séria, ele ocupa a prateleira dos ativos de longo prazo.
5. Checklist do colecionador: vídeo – freios para 230 km/h
Para segurar um carro que agora chegava a 230 km/h, a Porsche reforçou o sistema com discos ventilados nas quatro rodas, pastilhas de maior coeficiente de atrito e melhor gerenciamento térmico. O vídeo abaixo resume os principais pontos que o colecionador deve observar.
6. Ficha técnica completa – Porsche 911 S Targa 2.2 (1969/1970)
| Mecânica | |
|---|---|
| Motor | Boxer 6 cilindros opostos horizontalmente, arrefecimento a ar, código Type 911/02 |
| Cilindrada | 2.195 cm³ (2.2 litros) |
| Alimentação | Injeção mecânica Bosch |
| Potência máxima | 180 cv a 6.500 rpm |
| Torque máximo | ≈ 20,1 kgfm a 5.200 rpm |
| Taxa de compressão | Elevada, específica da versão S (faixa de 9,8:1) |
| Comando de válvulas | Perfil esportivo, otimizado para alta rotação |
| Câmbio | Manual de 5 marchas (tipo 901 com relações revisadas) |
| Tração | Traseira |
| Desempenho e consumo | |
| Velocidade máxima | ≈ 230 km/h |
| 0–100 km/h | ≈ 7,0 s |
| Consumo médio | 10–11 km/l em ciclo misto (referência de época) |
| Autonomia estimada | 550–600 km, dependendo do estilo de condução |
| Chassi, freios e suspensão | |
| Estrutura | Monobloco em aço com reforços na região Targa |
| Suspensão dianteira | Independente, McPherson com barras de torção e amortecedores reforçados |
| Suspensão traseira | Independente, semi-trailing arms com barras de torção |
| Freios | Discos ventilados nas quatro rodas |
| Direção | Mecânica, relação direta |
| Dimensões e massa | |
| Peso em ordem de marcha | ≈ 1.020 kg |
| Coeficiente aerodinâmico (Cx) | ≈ 0,39 |
| Mercado e valores | |
| Preço zero km em 1969 | ≈ US$ 6.350 (referência internacional) |
| Faixa de valor atual | R$ 1,2 milhão a R$ 1,8 milhão em média, dependendo de originalidade e histórico |
Meta descrição complementar da ficha técnica
Ficha técnica completa do Porsche 911 S Targa 2.2 1970: motor 2.2 S Type 911/02 de 180 cv, desempenho, chassi, aerodinâmica, consumo, autonomia, valores de mercado e dados essenciais para colecionadores de Porsche antigo.
7. Equipamentos de segurança e conforto do 911 S Targa 2.2
Principais itens do pacote, em linha com o padrão premium da época:
- Freios a disco ventilados nas quatro rodas, dimensionados para 230 km/h.
- Estrutura Targa com arco de aço reforçado, ampliando rigidez torsional.
- Bancos esportivos com melhor apoio lateral e revestimento em couro ou vinil premium.
- Volante esportivo de três raios com empunhadura espessa.
- Painel acolchoado com cinco instrumentos de leitura direta.
- Sistema de ventilação e aquecimento integrado à refrigeração do motor.
- Cintos de segurança de três pontos para os ocupantes dianteiros.
- Para-brisa laminado e vidros laterais temperados.
- Iluminação frontal aprimorada com faróis de maior alcance e auxiliares de neblina opcionais.
- Acabamentos internos em materiais de toque macio, com foco em isolamento acústico.
- Rodas Fuchs esportivas, mais leves, contribuindo para menor massa não suspensa.
8. Catálogo de cores e acabamentos – Porsche 911 S Targa 2.2 1970
Cores externas (referências históricas aproximadas)
| Cor | Amostra | Descrição |
|---|---|---|
| Verde Limão Metálico | Tom vibrante, típico do período, muito valorizado em configurações Targa. | |
| Preto | Clássico absoluto, reforça o caráter esportivo e elegante do 911 S. | |
| Branco | Realça os detalhes cromados e a linha do teto Targa. | |
| Vermelho Polo | Cor esportiva de forte presença visual, muito associada à marca. | |
| Azul Gênova | Azul profundo que combina bem com interiores em preto ou marrom. | |
| Cinza Slate | Tonalidade elegante, bastante procurada em coleções mais discretas. | |
| Marrom Sepia | Cor de época, hoje bastante cultuada em eventos de clássicos. |
Acabamentos internos
| Acabamento | Amostra | Descrição |
|---|---|---|
| Couro Marrom | Opção refinada, muito alinhada à proposta GT do 911 S Targa. | |
| Bege Claro | Interior claro que amplia a sensação de espaço na cabine. | |
| Preto | Look clássico de competição, com menor percepção de desgaste visual. | |
| Cinza | Opção mais neutra, interessante para carros de uso frequente. |
9. FAQ rápido – o que o colecionador precisa saber
• Este 911 S Targa é bom para uso em estrada ou só para coleção?
Tecnicamente, ele foi concebido para uso real em estrada e autoestrada, com desempenho de sobra. Na prática, pelo valor atual, muitos proprietários limitam o uso a passeios selecionados e eventos de clássicos.
• O 2.2 S Type 911/02 é confiável?
Quando montado dentro das especificações e com manutenção preventiva correta, é um motor robusto. O ponto-chave é o cuidado com lubrificação, folgas internas, calibragem de injeção mecânica Bosch e temperatura de operação.
• Onde o 911 S Targa 2.2 se posiciona dentro da linha 911 clássico?
Ele é um elo de transição: mais rápido e refinado que os 2.0/2.2 iniciais e antecessor direto da geração dos 2.4/2.7. Para muitas coleções, é o “sweet spot” entre leveza e maturidade de projeto.
