Porsche 911 R Coupé 1968: a série especial que encarou os gigantes V8

Tudo sobre o Porsche 911 R Coupé: ficha técnica, produção, Weber 46 IDA3C, preços em leilão e dicas para quem busca um “Porsche antigo/911 antigo”

Porsche 911 R Coupé 1968: a série especial que encarou os gigantes V8
Autor e Análise técnica baseada na experiência prática em oficina mecânica por Jairo Kleiser Formado em mecânica de automóveis na Escola Senai no ano de 1989

Last Updated on 22.01.2026 by

Tudo sobre o Porsche 911 R Coupé: ficha técnica, produção, Weber 46 IDA3C, preços em leilão e dicas para quem busca um “Porsche antigo/911 antigo”

Porsche Antigo ao Porsche atual – Natália Svetlana – Colunista JK Porsche

Por que este “Porsche antigo” é tão importante

Porsche 911 R Coupé 1968: a série especial que encarou os gigantes V8
Porsche 911 R Coupé 1968: a série especial que encarou os gigantes V8

O 911 R foi a interpretação mais radical do 911 de primeira geração: leve, minimalista e feito para vencer ralis e provas de resistência.

Saiu de fábrica com motor 2.0 boxer de seis cilindros e cerca de 210 cv, atingindo o ápice do conceito de alívio de peso e pureza mecânica, atributos que hoje fazem dele um 911 antigo mítico e extremamente desejado.

Origem e contexto

Em 1967, a Porsche decidiu criar um 911 específico para competição. Como não alcançaria as 500 unidades exigidas para homologação GT.

Mas limitou a produção e posicionou o 911 R acima do 911 S, inclusive no preço (estimados 45.000 marcos à época, quase o dobro de um 911 S).

Ficha técnica essencial (para mecânicos, técnicos e engenheiros)

  • Motor: 2.0 L, 6 cilindros opostos, tipo 901/22, dupla ignição, taxa de compressão ~10,5:1;
  • Carburação: dois carburadores triplos Weber 46 IDA/IDA3C (seis corpos no total);
  • Potência: 210 hp (~210 cv) a ~8.000 rpm;
  • Transmissão: manual de 5 marchas, tração traseira;
  • Peso em ordem de marcha: ~800–830 kg, graças ao uso extensivo de painéis em fibra e janelas em plexiglas;
  • Rodas/Pneus: Fuchs forjadas 6×15 e 7×15 (pneus Dunlop Racing de época);
  • Tanque de combustível: 100 L (foco em provas longas).

Nota de oficina: no 911 R, a resposta do acelerador e a necessidade de acerto fino de mistura e avanço são críticas, o conjunto Weber 46 IDA3C exige sincronia impecável e uso de giclês corretos para altitude e combustível modernos.

Construção leve: o que muda em relação ao 911 S

Para reduzir massa, o 911 R recebeu capô, portas, tampa do motor e para-choques em fibra, além de interior depenado, vidros laterais e traseiro em plexiglas e ítens de conforto deletados.

O resultado ficou na casa de ~810 kg (cerca de 230 kg a menos que um 911 comum da época).

Produção e numeração: 20… ou 19?

Você vai encontrar duas contagens na literatura especializada:

  • 20 carros de produção + 4 protótipos (total 24), visão difundida em guias de modelos;
  • 19 carros de produção + 4 protótipos (total 23), conforme material histórico da própria Porsche com faixa de chassis 118 99 001R a 118 99 019R e protótipos R1–R4.

Nesta matéria adotamos “20 unidades produzidas”, contagem tradicional em boa parte da bibliografia —, mas registramos a divergência documental para referência técnica.

Mercado & preço: quanto vale um 911 R hoje

  • Um 911 R original (chassi 11899006R) foi arrematado por US$ 3.360.000 em Monterey, agosto de 2021;
  • O índice de mercado (Classic.com) indica média histórica (CMB) em torno de US$ 1,67 mi para o 911 R, refletindo a raridade extrema;
  • Para 2025, estimativas de leilão para 911 R aparecem na faixa de US$ 2,5–3,0 mi, dependendo de procedência e originalidade.

Drivers de preço: originalidade do conjunto 901/22 (bloco, cabeçotes e número de motor), histórico esportivo documentado (Kardex), correspondência de carroceria leve (painéis em fibra de época) e integridade dos Weber 46 IDA3C.

Manutenção & peças (carburadores Weber 46 IDA3C)

Para quem vai manter e usar um Porsche antigo desse nível, há kits e pares novos de Weber 46 IDA3C no mercado de reposição premium, úteis para carros de corrida, restauros e até tributes. A disponibilidade ajuda no acerto e na conservação do conjunto sem canibalizar peças originais.

Boas práticas de acerto (pista/regularidade):

  • Balanceamento de corpos e sincronização por coluna de mercúrio/manômetros;
  • Verificação de emulsão e giclês para gasolina atual (E27 no Brasil) e altitude local;
  • Checagem periódica de folgas de válvulas (perfil agressivo) e dupla ignição (bobinas/velas). (Práticas gerais; consulte o manual técnico e as especificações do seu carro.).

Como identificar um 911 R autêntico (checklist rápido)

  • Chassi: faixa 118 99 001R–019R (produção) e protótipos R1–R4;
  • Motor: 901/22 2.0 com dupla ignição e Weber 46 (ou injeção mecânica em aplicações específicas de fábrica de competição);
  • Carroceria: painéis em fibra, janelas em plexiglas, interior minimalista;
  • Peso: na casa dos 800–830 kg; muito abaixo de um 911 S standard.

Perguntas frequentes (SEO)

Qual a diferença entre 911 R e 911 S (1967)?

O R usa o motor tipo 901/22 com ~210 cv, carroceria aliviada em fibra/plexiglas, suspensão ajustada e componentes de competição; o S é o esportivo “civil” de topo na época, mais pesado e com acabamento completo.

O 911 R é usável em estrada?

Sim, mas nasceu para corrida. Acerto de carburadores, ruído, altura livre e temperatura de operação são de carro de competição, menos confortável que um 911 S/T de rua.

Quanto custa um 911 R hoje? Transações recentes e estimativas variam de ~US$ 2,5 mi a mais de US$ 3 mi, conforme histórico e originalidade.

Conclusão

Para quem estuda, mantém ou busca um Porsche antigo de referência, o 911 R é um caso-limite: engenharia rica em detalhes (carburação Weber 46 IDA3C, dupla ignição, alívio extremo) e produção ínfima, um “911 antigo” que encapsula a transição do 911 de rua para um puro instrumento de competição.

Editorial: por que o 911 R ainda nos fascina

Se o 911 é uma plataforma elástica, o 911 R foi o momento em que a Porsche mostrou até onde essa elasticidade poderia ir, peso mínimo, resposta máxima.

Não é só um número de potência; é a forma como o conjunto respira por meio dos Weber 46, como o flat-six sobe de giro sem filtros eletrônicos, como a carroceria em fibra “fala” com o asfalto.

Em um mundo de carros cada vez mais rápidos e silenciosos, o R lembra que tempo de volta é consequência, não objetivo: o alvo é a conexão mecânica.

Para colecionadores, é um ativo cultural; para mecânicos e engenheiros, um laboratório ambulante sobre fluxo, mistura e inércia.

E para quem ama dirigir, é a lembrança de que a magia do Porsche antigo mora nos detalhes: nos cabos, nas varetas, nos giclês, nas chaves de boca. O 911 antigo que não envelhece é aquele que continua ensinando, e o 911 R ensina muito.

Como a Porsche conseguiu gerar tanta potência, e energia em um motor pequeno 2.0 de 6 cilindros entregando 210 cv, alcançando impressionantes 245 km/h

Extrair 210 cv de um 2.0 seis-cilindros boxer em 1967 exigiu mais do que “abrir os carburadores”. No 911 R, a Porsche combinou arquitetura mecânica favorável a altas rotações, combustão extremamente eficiente e perdas mecânicas minimizadas.

O resultado foi um conjunto que respira, gira e entrega potência com saúde de corrida — referência até hoje para quem mantém um Porsche antigo.

1) Base mecânica para girar alto

O flat-six 2.0 é superquadrado (curso curto em relação ao diâmetro do cilindro), permitindo subir de giro rapidamente com menores esforços no conjunto virabrequim/bielas/pistões.

O dimensionamento de massas móveis leves, balanceamento criterioso e lubrificação por cárter seco garantem pressão e temperatura de óleo estáveis em regimes elevados, reduzindo atrito e cavitação.

Girar com confiança perto dos 8.000 rpm amplia a potência específica sem sacrificar confiabilidade, pilar fundamental do 911 R.

2) Enchimento de cilindro: ar, combustível e fluxo

Para que um motor pequeno respire como um grande, é preciso encher bem os cilindros. No 911 R isso veio de um conjunto de peças e acertos que trabalham em harmonia:

  • Comando de válvulas com maior duração e levantamento, favorecendo tempo de permanência das válvulas abertas e melhor varredura dos gases;
  • Dutos e coletores otimizados, com seções e transições pensadas para velocidade de ar e menor turbulência indesejada;
  • Carburação “oversize”: dois carburadores triplos Weber 46 IDA/IDA3C, seis corpos no total, oferecem área de borboleta generosa, difusores dimensionados e emulsão precisa para alimentar o motor em alta sem engasgos;
  • Escapamento equalizado de pulso: coletores de comprimento igual e volume adequado criam efeito de “varredura” (scavenging), puxando os gases queimados e ajudando a encher o cilindro seguinte.

3) Combustão rápida e estável: dupla ignição e taxa

Com duas velas por cilindro (dupla ignição), o front de chama percorre trajetos menores, a queima fica mais homogênea e rápida, e o motor aceita taxa de compressão elevada sem bater pino.

Isso aumenta a eficiência térmica, melhora a resposta e sustenta potência em alta rotação. O acerto de ponto e avanço, pensado para a gasolina da época e uso esportivo, fecha o pacote.

4) Perdas mecânicas sob controle

Potência ao virabrequim é uma coisa; potência nas rodas, outra. Para reduzir perdas:

  • Rolamentos, folgas e acabamentos seguiam tolerâncias de competição, com atrito reduzido;
  • Bomba de óleo e circuitos dimensionados para pressão estável evitam arrasto desnecessário;
  • Acessórios essenciais e leves (sem “penduricalhos” de conforto) tiram carga do eixo e mantêm o motor livre para acelerar.

5) Por que 245 km/h com “apenas” 210 cv?

A velocidade máxima não depende só da potência: é a batalha contra o ar. O 911 R combina:

  • Baixo peso (≈800–830 kg) para chegar rápido à velocidade-alvo;
  • Boa aerodinâmica para a época e área frontal contida, o que reduz o arrasto cúbico com a velocidade;
  • Quinta marcha (e relação coroa/pinhão) dimensionadas para que o motor atinja a rotação de potência máxima no fim da reta, usando cada cavalo disponível;
  • Essa integração de potência útil, relações de transmissão e arrasto explica como um 911 antigo de 2.0 litros alcança 245 km/h em configuração adequada.

6) O que importa no acerto (para oficina e pista)

  • Sincronização fina dos três corpos por lado nos Weber 46, com varetas e borboletas abrindo de forma idêntica.
  • Giclês, emulsionadores e difusores escolhidos para combustível moderno e altitude local; mistura levemente rica em plena carga preserva o motor em alta.
  • Ponto de ignição calibrado para a dupla ignição e o perfil de comando; atenção ao avanço total próximo da rotação de potência.
  • Folgas de válvula e assentamento verificados com frequência — comando agressivo exige disciplina de manutenção.
  • Temperatura de óleo na janela ideal: resfriamento eficiente mantém a densidade do óleo, a pressão e a estabilidade da película lubrificante.

7) O aprendizado que fica

A “mágica” do 911 R não é um único componente, mas sistema: arquitetura que aceita giro, fluxo de ar e combustível abundante, combustão acelerada por dupla ignição, perdas baixas e conjunto leve. É a engenharia que transforma um 2.0 em algo muito maior na prática, lição valiosa para quem projeta, mantém ou dirige um Porsche antigo com alma de competição.

Vídeo: O 911 R contra os V8


Ficha Técnica Porsche 911 R Coupé 210 cv • 245 km/h ano 1968
Porsche 911 R (1968) — Ficha Técnica + Catálogo de Cores (Tabela Única Responsiva)
JK Porsche — Logomarca

Porsche 911 R (1968) — Ficha Técnica + Catálogo de Cores (Tabela Única)

Tabela única responsiva, com alinhamento preciso no desktop e no mobile.

Tabela Única Responsiva

Coluna 1 Coluna 2 Coluna 3 Coluna 4 Coluna 5
Ficha técnica — Motor & transmissão
Arquitetura Boxer 6 cilindros opostos refrigerado a ar, cárter seco, bloco/cárter em liga de magnésio
Cilindrada 1.991 cm³
Diâmetro x curso ≈ 80,0 mm x 66,0 mm (superquadrado)
Taxa de compressão ~10,3–10,5:1 (aplicação de competição)
Alimentação Dois carburadores triplos Weber 46 IDA/IDA3C; difusores e giclês calibrados para alta rotação
Ignição Dupla (duas velas por cilindro), distribuidor de avanço adequado a alto giro
Comando de válvulas Perfis de alta duração/elevação para enchimento em alta
Potência 210 cv @ ~8.000 rpm (aprox.)
Torque ≈ 200–205 N·m @ alta rotação (aprox.)
Arrefecimento Ar forçado por ventilador axial; radiador de óleo remoto de competição
Escapamento Coletor equalizado (pulsos) para melhor varredura de gases
Câmbio Manual 5 marchas (tipo 901), relações variáveis conforme prova
Final de transmissão Coroa e pinhão típicos 7:31 (4,43:1), combinados a 5ª longa para 245 km/h
Ficha técnica — Chassi, suspensão e freios
Estrutura Monobloco em aço, alívio extensivo de massa
Suspensão dianteira McPherson com barras de torção, amortecedores esportivos (ex.: Koni/Bilstein), barra estabilizadora
Suspensão traseira Braços semiarrastados com barras de torção, amortecedores esportivos, barra estabilizadora
Direção Pinhão e cremalheira (rápida), sem assistência
Freios Discos ventilados nas quatro rodas, pinças de alto desempenho (especificação “S”)
Rodas Fuchs forjadas 6J x 15 (diant.) e 7J x 15 (tras.) — furação 5×130
Pneus (época) Medidas de competição equivalentes a 6.00–15 (D) e 7.00–15 (T); aplicações de rua variavam
Ficha técnica — Carroceria, dimensões e massa
Materiais leves Capô, portas, tampa traseira e para-choques em compósito; vidros laterais/traseiro em plexiglas; interior depenado
Comprimento x Largura x Altura ≈ 4.160 mm x 1.610 mm x 1.320 mm
Entre-eixos ≈ 2.211 mm
Bitolas (D/T) ≈ 1,35 m / 1,33 m (variável por roda/pneu)
Peso em ordem de marcha ≈ 800–830 kg
Tanque de combustível 100 litros (competição/resistência)
Ficha técnica — Aerodinâmica & desempenho
Coeficiente de arrasto (Cd) ≈ 0,38 (carroceria 911 de primeira geração)
Área frontal estimada (A) ≈ 1,75–1,80 m²
Velocidade máxima 245 km/h (com 5ª longa e ajuste de motor/transmissão corretos)
Observações Carroceria limpa para a época; tendência a alívio aerodinâmico no eixo dianteiro em alta — mitigado por acerto de suspensão/pneus
Ficha técnica — Consumo e autonomia (referenciais)
Urbano ≈ 4,5 km/L ≈ 22,2 ≈ 450 km
Rodoviário ≈ 6,5 km/L ≈ 15,4 ≈ 650 km
Misto ≈ 5,5 km/L ≈ 18,2 ≈ 550 km
Ficha técnica — Preço (1968) e mercado atual
Preço zero km (1968) ≈ 45.000 marcos alemães (DM) Produção limitada; custo substancialmente acima de um 911 S. Conversão histórica ~US$ 11.300 em 1968 (sem correção).
Mercado de colecionáveis (atual) ≈ US$ 2,5–3,5 milhões Faixa observada para exemplares autênticos, com procedência e originalidade elevadas.
Catálogo — Cores externas (com paleta indicativa)
Light Ivory Sólida Carroceria Tonalidade clara tradicional da linha inicial do 911
Polo Red Sólida Carroceria Vermelho intenso de alto contraste com grafismos
Irish Green Sólida Carroceria Clássico verde profundo, muito associado à competição
Bahama Yellow Sólida Carroceria Amarelo mostarda de época, muito fotogênico
Slate Grey Sólida Carroceria Tom grafite discreto, favorece um visual stealth
Sand Beige Sólida Carroceria Bege arenoso clássico da paleta 60s
Tangerine Sólida Carroceria Laranja vibrante, muito usado em carros de prova
Ossi Blue Sólida Carroceria Azul médio de aparência elegante
Aga Blue Sólida Carroceria Azul escuro tradicional, tom mais sóbrio
Pastel Blue Sólida Carroceria Azul claro pastel, típico da segunda metade dos 60
Silver Metallic Metálica Carroceria Acabamento metálico de baixo peso óptico
Black Sólida Carroceria Preto profundo, contrasta com detalhes cromados
White Sólida Carroceria Base tradicional para grafismos de corrida
Catálogo — Acabamentos internos (amostras indicativas)
Leatherette preto Bancos concha, painéis de porta, console Durável e leve, acabamento fosco antirreflexo
Pepita (houndstooth) P/B Centros dos bancos concha, encostos Clássico gráfico de época, alta ventilação
Corduroy preto Assentos e painéis de contato Estrutura canelada para aderência e conforto
Lona perfurada Bancos de competição, inserts Respirabilidade aumentada, peso reduzido
Feltro técnico Painel traseiro, assoalho parcial Isolamento mínimo, foco em leveza
Borracha ranhurada Tapetes, área de pedais Fácil limpeza, alta durabilidade

As paletas são indicativas e podem variar conforme tela/iluminação. Em dispositivos móveis, as linhas são empilhadas com rótulos para máxima legibilidade e alinhamento preciso.

© JK Porsche — ficha técnica e catálogo reunidos em uma única tabela responsiva.


Catálogo de cores e acabamento externos e internos do Porsche 911 R Coupé 1968