VW Passat GL Village 1.6 1987, Um Equilíbrio Raro entre Aerodinâmica e Engenharia. Confira a matéria, Ficha Técnica, preço, mercado, lista de equipamentos, consumo, desempenho e catálogo de cores.

Ficha técnica carros – Natália Svetlana – Colunista
Imagens RR Autos Antigos
Durante as décadas de 1970 e 1980, o mercado automotivo brasileiro passou por profundas transformações. Nesse cenário competitivo e em constante evolução, o Volkswagen Passat GL Village AP 1.6, ano 1987.

Destacou-se não apenas como um sedan médio refinado, mas também como um marco em engenharia automotiva nacional.
Em sua última fase, o modelo GL Village combinava versatilidade familiar com soluções técnicas avançadas para a época, consolidando-se como o carro com melhor aerodinâmica e uma das plataformas mais equilibradas produzidas no Brasil entre 1974 e 1988.
Aerodinâmica e Plataforma: Um Capítulo à Parte
Lançado originalmente em 1974, o Passat foi o primeiro VW brasileiro com tração dianteira e motor refrigerado a água.
Seu projeto, derivado do Audi 80 europeu, impressionava pelo coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,39, um número notável para a época, especialmente num país que ainda engatinhava em conceitos de eficiência e fluxo de ar.
Entre 1974 e 1988, nenhum outro modelo nacional combinava com tanta precisão rigidez estrutural, distribuição de peso e estabilidade em alta velocidade.
A carroceria do Passat era uma aula de engenharia funcional. A dianteira inclinada, os vincos nas laterais e a traseira limpa contribuíam não apenas para a estética moderna, mas para o excelente escoamento do ar.
O GL Village, em especial, se beneficiava da evolução desse projeto com melhorias em acabamento, isolamento acústico e detalhes voltados para o conforto de uso urbano e rodoviário.
Versão GL Village: O Passat da Família Brasileira

A versão Village foi uma das últimas variações do Passat nacional. Focada no conforto e espaço interno, trazia bancos com revestimento exclusivo.
Painel com melhor acabamento e itens como ventilação forçada, relógio digital e rádio AM/FM com toca-fitas, um luxo em muitos lares brasileiros da época.
O porta-malas de 390 litros e o bom espaço para os ocupantes traseiros o tornavam competitivo em um segmento que incluía Ford Del Rey, Chevrolet Monza e Fiat Prêmio.
O GL Village era discreto, mas ao mesmo tempo elegante, uma escolha racional para quem buscava qualidade e confiabilidade.
Preço e Mercado (em 1987 e hoje)
- Preço de tabela em 1987: Cr$ 720.000,00 (Cruzeiros)
- Preço atualizado (valores de colecionador em 2025):
- Exemplares restaurados e originais: entre R$ 35 mil e R$ 45 mil;
- Modelos em estado de coleção, com baixa quilometragem: até R$ 100 mil.
O Passat GL Village tem hoje valor afetivo e histórico. É procurado por colecionadores que valorizam sua dirigibilidade, robustez e equilíbrio dinâmico.
Embora não tenha o mesmo glamour de esportivos como o GTS Pointer, o Village oferece uma experiência de condução suave, estável e refinada, e tudo isso com custo de manutenção ainda acessível.
Legado e Reconhecimento

Em retrospectiva, o Passat foi um pioneiro silencioso. Suas soluções técnicas foram copiadas e inspiraram diversas gerações posteriores, inclusive dentro da própria Volkswagen.
A engenharia do AP 1.6 segue reverenciada por mecânicos e entusiastas, e a plataforma base ainda é considerada uma das mais bem resolvidas da indústria nacional.
Entre 1974 e 1988, poucos carros brasileiros conseguiram unir aerodinâmica, leveza estrutural e prazer ao volante como o Passat. E na versão GL Village 1987.
Ele entrega esse conjunto com um toque de elegância e maturidade, como um veterano que conhece bem seu lugar na história.
Ficha Técnica completa

Motorização
- Motor: VW AP-600 1.6;
- Código do motor: BS;
- Posição: Dianteiro, longitudinal;
- Número de cilindros: 4 em linha;
- Válvulas por cilindro: 2;
- Cilindrada total: 1.584 cm³;
- Diâmetro x curso: 81,0 mm x 77,4 mm;
- Taxa de compressão: 11:1 (etanol) / 8,5:1 (gasolina)
- Alimentação: Carburador de corpo duplo;
- Combustível: Etanol ou gasolina (versões bicombustível eram raras, mas possíveis mediante conversão);
- Potência máxima: 86 cv (etanol) / 81 cv (gasolina) a 5.600 rpm;
- Torque máximo: 13,8 kgfm (etanol) / 13,2 kgfm (gasolina) a 3.200 rpm.
Transmissão
- Câmbio: Manual de 5 marchas;
- Tração: Dianteira;
- Embreagem: Monodisco a seco, comando por cabo.
Suspensão, Direção e Freios

- Suspensão dianteira: Independente tipo McPherson, com molas helicoidais e barra estabilizadora;
- Suspensão traseira: Eixo de torção com braços longitudinais e molas helicoidais;
- Direção: Mecânica, pinhão e cremalheira
- Freios dianteiros: Disco sólido;
- Freios traseiros: Tambor.
Dimensões
- Comprimento: 4.335 mm;
- Largura: 1.640 mm;
- Altura: 1.360 mm;
- Distância entre-eixos: 2.470 mm;
- Bitola dianteira: 1.340 mm;
- Bitola traseira: 1.340 mm;
- Altura do solo: 150 mm (aproximadamente);
- Capacidade do porta-malas: 390 litros;
- Tanque de combustível: 60 litros;
- Peso em ordem de marcha: 950 kg.
Desempenho
- Velocidade máxima: Aproximadamente 162 km/h (etanol);
- Aceleração 0 a 100 km/h: Cerca de 14,0 segundos;
- Consumo urbano:
- Etanol: 7,5 km/l;
- Gasolina: 10,5 km/l.
- Consumo rodoviário:
- Etanol: 10,5 km/l;
- Gasolina: 14,2 km/l.
Equipamentos de Série (GL Village 1987)

- Painel completo com relógio analógico;
- Conta-giros Opcional;
- Ar quente;
- Ventilação forçada com quatro velocidades;
- Rádio toca-fitas AM/FM com dois alto-falantes;
- Desembaçador traseiro;
- Travas e vidros manuais;
- Espelhos retrovisores com controle interno;
- Luz de cortesia;
- Acabamento interno em tecido veludo ou vinil;
- Bancos dianteiros com encosto de cabeça integrado;
- Rodas de aço 13″ com calotas integrais.
Catálogo de cores
Cores Sólidas
- Branco Cristal – acabamento liso, muito popular nos anos 1980;
- Preto Ninja – clássico, elegante, realçava o desenho reto da carroceria;
- Vermelho Fogo – vibrante e esportivo, uma das cores de destaque da linha;
- Bege Saara – tom claro e discreto, bastante comum em versões familiares;
- Azul Astral – azul escuro tradicional, refinado;
- Cinza Titânio – neutro e sofisticado.
Cores Metálicas (opcionais com custo adicional na época).
- Prata Géleé – prateado metálico, bastante procurado por seu aspecto moderno;
- Verde Amazonas Metálico – tonalidade escura, com brilho leve sob o sol;
- Marrom Topázio Metálico – tom terroso, elegante e raro hoje em dia;
- Azul Noturno Metálico – azul profundo, quase preto, sofisticado e sóbrio;
- Champagne Metálico – bege metálico claro, refinado.
Acabamento Interno Combinado
O acabamento interno variava de acordo com a cor externa e podia ser encontrado em:
- Tecido veludo grafite ou cinza claro (maioria dos modelos);
- Vinil cinza claro ou escuro (versões mais simples ou uso frotista).
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