Clássicos de Época, Ford Belina 1.4 1975: A versatilidade nacional em forma de perua. Ficha Técnica, notícias, preço, mercado, lista de equipamentos, consumo, desempenho e catálogo de cores.

Ficha técnica carros – Natália Svetlana – Colunista
Imagens Mascote Clássicos
No Brasil dos anos 1970, uma demanda crescente por carros familiares, robustos e com espaço de sobra levou diversas montadoras a apostarem em modelos de peruas derivados de sedãs médios.

Foi nesse contexto que a Ford Belina 1.4 nasceu, em 1970, como a versão perua do Corcel, ganhando força no mercado e consolidando-se como referência até meados dos anos 1980.
O modelo 1975 trouxe ajustes pontuais e manteve o perfil de confiabilidade que o consumidor brasileiro já conhecia, especialmente voltado a quem buscava economia, espaço interno e resistência mecânica.
Estilo europeu, alma brasileira
A Belina era baseada no Renault 12 francês (adaptado pela Ford via projeto Willys), mas com identidade visual própria. Em 1975, a perua já exibia um design mais refinado e limpo.
Suas linhas retas e proporções bem resolvidas chamavam atenção: capô baixo, laterais largas e uma traseira levemente inclinada com lanternas verticais.
O acabamento simples, porém funcional, combinava com a proposta familiar e utilitária da perua.
A versão 1.4L, com motor de quatro cilindros em linha, era voltada a quem buscava economia e manutenção simples.
O propulsor derivado do projeto Renault tinha construção robusta e torque satisfatório para a proposta. Um de seus pontos fortes era o baixo consumo de combustível, qualidade muito valorizada em um período de crescente preocupação com economia no Brasil pós-crise do petróleo.
Mercado e legado

Com uma boa aceitação nas vendas, a Belina 1.4 teve papel fundamental na consolidação das peruas como opção viável para famílias e profissionais autônomos.
Em 1975, era comum vê-la nas ruas servindo como táxi, veículo escolar ou carro de frota, dada sua versatilidade.
Na época, seu preço era competitivo frente às opções da concorrência, como a Volkswagen Variant e a Chevrolet Caravan. A manutenção barata, a boa disponibilidade de peças e o conjunto mecânico confiável fizeram dela um sucesso nas concessionárias.
Em valores atualizados, o preço estimado de uma Belina 1.4 zero km em 1975 ficava na faixa de Cr$ 35.000 a Cr$ 40.000, equivalente hoje (em poder de compra) a algo em torno de R$ 190 mil.
Considerações finais
A Ford Belina 1.4 1975 foi uma síntese perfeita do que o brasileiro buscava naquele momento: simplicidade, confiabilidade e espaço.
Não era um carro de luxo, tampouco o mais rápido da categoria, mas sua proposta honesta e eficiente deixou marcas profundas no mercado.
Hoje, como item de coleção, é valorizada por entusiastas da era das peruas nacionais, especialmente em versões bem conservadas e originais.
Ficha técnica completa

Configuração
- Modelo: Ford Belina 1.4;
- Ano/modelo: 1975;
- Carroceria: Perua de 2 portas;
- Segmento: Médio familiar;
- Origem: Nacional (Brasil).
Motorização e Mecânica
- Código do motor: Renault Cléon-Fonte 1.4 (licenciado pela Ford);
- Tipo: 4 cilindros em linha, longitudinal;
- Combustível: Gasolina;
- Cilindrada: 1.372 cm³;
- Diâmetro x Curso: 76,0 mm x 77,0 mm;
- Taxa de compressão: 8,5:1;
- Potência máxima: 75 cv (SAE) a 5.600 rpm;
- Torque máximo: 11,5 kgfm a 3.000 rpm;
- Alimentação: Carburador simples;
- Aspiração: Natural;
- Sistema de ignição: Contato por platinado e bobina;
- Câmbio: Manual de 4 marchas à frente + ré;
- Tração: Dianteira;
- Embreagem: Monodisco a seco, comando mecânico.
Suspensão, Direção e Freios

- Suspensão dianteira: Independente tipo McPherson com molas helicoidais e barra estabilizadora;
- Suspensão traseira: Eixo rígido com feixe de molas semi-elípticas e amortecedores hidráulicos;
- Direção: Mecânica, pinhão e cremalheira;
- Freios dianteiros: Tambor;
- Freios traseiros: Tambor;
- Freio de estacionamento: Manual, por alavanca entre os bancos dianteiros.
Dimensões e Capacidades
- Comprimento: 4.310 mm;
- Largura: 1.610 mm;
- Altura: 1.390 mm;
- Entre-eixos: 2.430 mm;
- Bitola dianteira: 1.310 mm;
- Bitola traseira: 1.270 mm;
- Altura do solo: 180 mm (aproximadamente);
- Peso em ordem de marcha: 940 kg;
- Capacidade do porta-malas: 450 litros;
- Capacidade do tanque de combustível: 51 litros;
- Carga útil máxima: 435 kg.
Desempenho
- Velocidade máxima: 140 km/h (estimado);
- Aceleração 0–100 km/h: Aproximadamente 19,5 segundos;
- Consumo urbano: 9,5 km/l;
- Consumo rodoviário: 12,5 km/l;
- Relação peso/potência: 12,5 kg/cv.
Rodas e Pneus

- Rodas: Aço estampado, 4 furos;
- Aro: 13 polegadas;
- Pneus: 6.00-13 diagonais (radiais como acessório em versões superiores).
Catálogo de cores
Cores sólidas:
- Branco Ártico – tom neutro, muito comum em veículos familiares;
- Verde Colonial – verde escuro, sofisticado e discreto;
- Bege Saara – bege claro, elegante e muito popular;
- Amarelo Bahamas – amarelo suave, incomum e mais chamativo;
- Vermelho Granada – vermelho fechado com pegada clássica;
- Azul Capri – azul claro vibrante;
- Azul Marinho – tom mais sóbrio e tradicional;
- Cinza Grafite – tom acinzentado escuro, comum em versões mais completas;
- Marrom Jatobá – marrom metálico intenso, bastante característico da década.
Cores metálicas (opcionais em versões mais caras ou sob encomenda):

- Prata Continental – cinza-prata metálico;
- Verde Pampa Metálico – verde escuro perolizado;
- Azul Oceano Metálico – azul profundo com reflexos metálicos;
- Champanhe Ouro – tom metálico bege-dourado.
Essas tonalidades estavam disponíveis tanto para a carroceria quanto para o acabamento interno correspondente, geralmente em tons de cinza, bege ou marrom nos bancos e forros.
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