Descubra a história do Porsche 911 ano 1964, marco entre os Porsche antigos. Conheça detalhes técnicos, avanços em relação a 1963, preço de mercado e por que se tornou um ícone colecionável.

Porsche Antigo ao Porsche atual – Natália Svetlana – Colunista
JK Porsche
Poucos modelos na história da indústria automobilística carregam tanta importância quanto o Porsche 911 ano 1964. Considerado o verdadeiro marco inicial da produção regular do esportivo mais emblemático da marca.

Esse modelo não apenas substituiu o 356, mas inaugurou uma linhagem que atravessou décadas e permanece até hoje como sinônimo de performance, tradição e design atemporal.
Para o apaixonado por Porsche antigo, compreender o contexto e os avanços do 911 de 1964 é revisitar o ponto de virada de uma das marcas mais respeitadas do mundo.
Avanços e inovações em relação à primeira fornada de 1963
Embora visualmente idêntico aos pré-série de 1963, o Porsche 911 de 1964 trouxe avanços relevantes que consolidaram sua viabilidade comercial:
- Produção regular: em 1963, a Porsche montou apenas alguns exemplares de demonstração. Em 1964, o processo industrial foi estabilizado, garantindo maior consistência no acabamento e na montagem;
- Correções de qualidade: ajustes no alinhamento de carroceria, vedação contra infiltrações e melhorias na ergonomia do painel foram implementados já na virada para 1964;
- Mercado estabelecido: a partir de 1964, o modelo começou a ser exportado oficialmente, chegando a mercados como Estados Unidos e Reino Unido, ampliando a base de clientes da marca;
- Imagem de marca: o 911 de 1964 consolidou a nova identidade da Porsche, com o design assinado por Ferdinand “Butzi” Porsche e o já característico motor boxer de seis cilindros na traseira.
Preço e mercado do Porsche 911 antigo de 1964

Na época de lançamento, o Porsche 911 custava aproximadamente 22.000 marcos alemães, um valor elevado para o segmento esportivo. Hoje, os exemplares preservados ou restaurados do Porsche 911 antigo ano 1964 são considerados peças de colecionador e atingem cifras milionárias em leilões internacionais.
Valores entre US$ 300 mil e US$ 500 mil são comuns, e versões com histórico especial podem superar facilmente a marca de US$ 1 milhão.
Esse status de raridade se deve ao fato de que, em 1964, a Porsche ainda produzia o modelo em volumes relativamente baixos, tornando cada exemplar um patrimônio histórico da marca.
O Porsche 911 de 1964 e sua importância para a Porsche
O modelo foi fundamental para a transição entre o Porsche 356 e a nova identidade esportiva da marca. Sua combinação de design, engenharia inovadora e confiabilidade mecânica definiu as bases para todas as gerações seguintes.
O 911 de 1964 é, portanto, não apenas um carro antigo, mas um marco de referência que ajudou a transformar a Porsche em um ícone global.
Conclusão

O Porsche 911 ano 1964 não é apenas o início de uma nova fase para a marca alemã, mas também um verdadeiro divisor de águas no mundo dos Porsche antigos.
Ao unir tradição, inovação e desempenho em um único produto, o modelo conquistou admiradores em todo o mundo e pavimentou o caminho para mais de seis décadas de evolução contínua.
Para colecionadores, entusiastas e consumidores de carros clássicos, revisitar o 911 de 1964 é reconhecer o ponto em que a Porsche deixou de ser apenas uma fabricante promissora para se tornar uma lenda sobre rodas.
Em 1964 foi o primeiro ano completo de produção regular do Porsche 911 (já com a nomenclatura corrigida após a Peugeot contestar o nome 901).
- Em 1963, foram fabricadas apenas 13 unidades de pré-série (ainda chamadas 901);
- Em 1964, a produção ganhou ritmo e a Porsche construiu 232 exemplares do Porsche 911;
Ou seja, todos os Porsche 911 de 1964 são considerados de primeiríssima série e altamente valorizados entre colecionadores, porque representam a transição do protótipo para o carro de linha.
Linha do tempo dos primeiros Porsche 911 (1963 – 1969)

1963 – O nascimento (protótipos 901)
- Produção: apenas 13 unidades do 901 foram fabricadas antes da mudança de nome;
- Evento marcante: apresentado no Salão de Frankfurt (setembro/1963) como sucessor do Porsche 356;
- Curiosidade: a Peugeot reclamou do uso de números de três dígitos com “0” no meio, forçando a mudança de nome para 911.
1964 – Primeiras unidades regulares
- Produção: 232 unidades do Porsche 911;
- Configuração: motor 2.0 boxer 6 cilindros, 130 cv, câmbio manual de 5 marchas;
- Curiosidade: todos os exemplares de 1964 são considerados raríssimos hoje, pois representam a primeira fornada de série.
1965 – O ano da consolidação
- Produção: cerca de 1.709 unidades;
- Novidade: surgem melhorias de acabamento e maior padronização na linha de montagem;
- Curiosidade: foi lançado também o Porsche 912, versão mais acessível com motor 4 cilindros derivado do 356.
1966 – Chega a versão S

- Produção: aproximadamente 3.181 unidades do 911;
- Novidade: lançamento do 911 S (Super), com motor 2.0 de 160 cv;
- Curiosidade: também em 1966 chega o 911 Targa, com arco fixo de segurança e teto removível – uma inovação no segmento.
1967 – Crescimento global
- Produção: cerca de 4.718 unidades;
- Novidade: adoção de carburadores Weber e pequenas mudanças estéticas;
- Curiosidade: 1967 marcou a primeira grande presença do 911 em competições oficiais, estabelecendo sua reputação esportiva.
1968 – Ajustes para os EUA
- Produção: em torno de 6.607 unidades;
- Novidade: adequações às normas de segurança e emissões norte-americanas;
- Curiosidade: lanternas maiores, painéis acolchoados e cintos de segurança passaram a ser obrigatórios em alguns mercados.
1969 – Evolução estrutural
- Produção: aproximadamente 10.172 unidades;
- Novidade: introdução da carroceria alongada (LWB), com 57 mm a mais de entre-eixos, melhorando estabilidade;
- Curiosidade: surgem os primeiros testes de injeção mecânica Bosch (MFI), preparando o terreno para os anos 1970.
A importância da chegada da carroceria em aço carbono no Porsche 911

Um dos marcos técnicos mais relevantes para a consolidação do Porsche 911 antigo foi a adoção da carroceria em aço carbono, substituindo a solução em alumínio utilizada nos primeiros 356, sobretudo nos modelos produzidos em Gmünd, na Áustria.
A mudança representou um passo estratégico da Porsche, tanto no aspecto de engenharia quanto no posicionamento de mercado.
Do ponto de vista estrutural, o aço carbono trouxe maior rigidez torcional e durabilidade, essenciais para um esportivo que começava a ganhar mais potência e que tinha a missão de ser o sucessor natural do 356.
Com a nova carroceria, o 911 oferecia não apenas desempenho esportivo, mas também a confiabilidade necessária para uso diário, algo fundamental para ampliar sua base de clientes.
Outro aspecto crucial foi o custo de produção. A fabricação em alumínio, além de mais cara, era limitada a baixos volumes, inviabilizando a expansão internacional da Porsche.
O aço carbono, por sua vez, permitiu escalar a produção e padronizar processos industriais, tornando o 911 competitivo frente a outros esportivos europeus da década de 1960.
A decisão também teve impacto direto na identidade da marca. Com o aço, o Porsche 911 deixou de ser visto apenas como um carro artesanal de nicho.

Passou a se consolidar como um esportivo de produção regular, mantendo a tradição da leveza e da dirigibilidade precisa, mas agora com robustez e confiabilidade de longo prazo.
Em resumo, a adoção do aço carbono foi um divisor de águas: sem essa transição, o 911 dificilmente teria alcançado a estabilidade industrial e comercial necessária para se transformar no ícone global que conhecemos hoje.
Ficha Técnica: Porsche 911 ano 1964
Ficha técnica completa do Porsche 911 ano 1964 modelo 1964, um ícone entre os Porsche antigos. Confira dados técnicos, desempenho, consumo, aerodinâmica, chassi, preços da época e valor atual no mercado de clássicos.
Motor e Transmissão
- Tipo: 6 cilindros boxer, refrigerado a ar;
- Posição: Traseiro, longitudinal;
- Cilindrada: 1.991 cm³ (2.0 litros);
- Diâmetro x Curso: 80 mm x 66 mm;
- Taxa de compressão: 9,0:1;
- Potência máxima: 130 cv a 6.100 rpm;
- Torque máximo: 174 Nm a 4.200 rpm;
- Alimentação: Carburadores Weber 40 IDA 3C;
- Câmbio: Manual, 5 marchas sincronizadas;
- Tração: Traseira.
Chassi, Suspensão e Freios

- Estrutura: Monobloco em aço carbono;
- Suspensão dianteira: Independente McPherson, barras de torção;
- Suspensão traseira: Braços arrastados, barras de torção;
- Freios: A disco nas quatro rodas;
- Direção: Cremalheira e pinhão.
Carroceria e Dimensões
- Configuração: Coupé 2 portas, 2+2 lugares;
- Comprimento: 4.163 mm;
- Largura: 1.610 mm;
- Altura: 1.320 mm;
- Entre-eixos: 2.211 mm;
- Peso: 1.080 kg;
- Coeficiente aerodinâmico (Cx): ~0,38;
- Tanque de combustível: 50 litros;
- Porta-malas (dianteiro): 130 litros.
Desempenho
- Velocidade máxima: 210 km/h;
- 0 a 100 km/h: 9,1 s;
- Consumo médio: 8 a 10 km/l (varia conforme condução);
- Autonomia: ~450 km (tanque de 50 L).
Pneus e Rodas
- Rodas: 15 polegadas, em aço com calotas cromadas (opcional rodas Fuchs a partir de 1966);
- Pneus originais: 165 HR 15.
Preço e Mercado
- Preço zero km em 1964: cerca de 22.000 marcos alemães (aprox. US$ 6.500 na época).
- Valor atual no segmento de carros antigos: entre US$ 300.000 e US$ 500.000 em leilões internacionais, podendo superar US$ 1 milhão em exemplares preservados ou com histórico especial.
Equipamentos: Porsche 911 (1964)

Segurança
- Freios a disco nas quatro rodas (avanço notável em relação a muitos rivais da época);
- Cintos de segurança de dois pontos (de série em alguns mercados, opcionais em outros);
- Estrutura monobloco em aço carbono, mais rígida e segura que a antiga carroceria de alumínio;
- Coluna de direção colapsável (recurso de segurança passiva raro nos anos 1960);
- Painel acolchoado para reduzir impactos em caso de colisão;
- Sistema elétrico de 12 volts, oferecendo maior confiabilidade em iluminação e partida;
- Faróis com lentes de vidro arredondadas, com regulagem manual de altura do facho.
Conforto
- Bancos dianteiros individuais com ajuste longitudinal e encostos reclináveis;
- Bancos traseiros tipo “+2” (pequenos, para uso ocasional);
- Estofamento em couro ou couro sintético (leatherette), dependendo da versão e do pedido do cliente;
- Ventilação forçada por dutos no painel;
- Vidros laterais e traseiros com abertura manual por manivelas;
- Porta-malas dianteiro de 130 litros (considerado generoso para um esportivo);
- Relógio analógico no painel (item de requinte na época);
- Painel com cinco instrumentos circulares independentes (velocímetro, conta-giros central, marcador de combustível, temperatura/pressão do óleo e relógio).

Tecnologia e conveniência
- Câmbio manual de 5 marchas sincronizadas (mais avançado que o de 4 marchas comum em outros esportivos da época);
- Sistema de carburadores triplos Weber 40 IDA, otimizando desempenho;
- Alternador de corrente alternada (substituindo o antigo dínamo, melhorando a eficiência elétrica);
- Ignição elétrica com distribuidor Bosch;
- Para-brisa laminado de segurança;
- Rádio AM opcional com alto-falante único;
- Rodas de aço 15” com calotas cromadas (rodas de liga leve Fuchs só apareceriam em 1966 como opcional).
Conclusão
O Porsche 911 de 1964 combinava soluções modernas para sua época, como os freios a disco em todas as rodas, a coluna de direção colapsável e o câmbio de 5 marchas, com detalhes de conforto refinados, como bancos reclináveis e painel completo de instrumentos.
Para o segmento de esportivos dos anos 1960, esses itens o colocaram em um patamar de sofisticação, segurança e tecnologia acima de muitos concorrentes.
Catálogo de cores

Cores externas (fábrica ano 1964)
- Slate Grey: 6401;
- Ruby Red: 6402;
- Sky (Enamel) Blue: 6403;
- Light Ivory: 6404;
- Champagne Yellow: 6405;
- Irish Green: 6406;
- Signal Red: 6407;
- Dolphin Grey: 6410;
- Togo Brown: 6411;
- Bali Blue: 6412;
- Black: 6413.
Cores internas (estofamentos e acabamentos ano 1964
- Leatherette/Couro Preto: carpete preto ou cinza; painel preto;
- Leatherette/Couro Vermelho: carpete vermelho ou bege; painel vermelho/preto;
- Leatherette/Couro Bege/Fawn: carpete bege ou vermelho; painel bege/vermelho;
- Leatherette/Couro Cinza: carpete cinza/preto; painel cinza/preto;
- Leatherette/Couro Verde: menos comum; combinações com Irish Green;
- Leatherette/Couro Azul: raro; coordena com azuis externos.
| Categoria | Cor | Código de fábrica | Paleta (hex aprox.) | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Cores externas: 1964 | ||||
| Externa | Slate Grey | 6401 | #5B6065 | Cinza clássico dos primeiros 911 |
| Externa | Ruby Red | 6402 | #7F0F19 | Vermelho profundo (diferente de Signal Red) |
| Externa | Sky (Enamel) Blue | 6403 | #7FA1C1 | Azul claro do período 64–65 |
| Externa | Light Ivory | 6404 | #F3EAD7 | Ivory claro |
| Externa | Champagne Yellow | 6405 | #F3D36C | Amarelo clássico dos early 911 |
| Externa | Irish Green | 6406 | #0B5D2B | Verde icônico da época |
| Externa | Signal Red | 6407 | #D11F27 | Vermelho mais “alaranjado” |
| Externa | Dolphin Grey | 6410 | #8B9096 | Cinza médio |
| Externa | Togo Brown | 6411 | #5A3A2E | Marrom característico |
| Externa | Bali Blue | 6412 | #1E3A5F | Azul profundo |
| Externa | Black | 6413 | #0A0A0A | Preto sólido |
| Cores internas: 1964 | ||||
| Interna | Leatherette/Couro Preto | : | #0A0A0A | O mais comum; painel preto |
| Interna | Leatherette/Couro Vermelho | : | #8A111B | Carpete vermelho ou bege |
| Interna | Leatherette/Couro Bege (Fawn) | : | #C6A679 | Tons areia; combina com Light Ivory |
| Interna | Leatherette/Couro Cinza | : | #9AA0A6 | Carpete cinza/preto |
| Interna | Leatherette/Couro Verde | : | #2F5D3A | Menos comum; combina com Irish Green |
| Interna | Leatherette/Couro Azul | : | #294C7A | Raro; coordena com Bali Blue |
Observação: as paletas são aproximações visuais para web, com o objetivo de orientação; variações podem ocorrer por lote, iluminação, restauração e calibragem de monitor.

