O Puma GTC foi a versão conversível do famoso esportivo nacional, lançado no início dos anos 1980 para substituir o antigo GTE Spyder.

Notícias, Ficha Técnica carros e mercado carros para PCD – Natália Svetlana – Colunista
JK Carros | Editorial
O modelo nasceu de uma necessidade de modernização da linha Puma, que desde o fim dos anos 1960 era símbolo de esportividade artesanal no Brasil.

Fabricado pela Puma Veículos e Motores Ltda., o GTC manteve a receita básica da marca: carroceria em fibra de vidro, chassi derivado do Volkswagen Brasília e mecânica confiável de origem Volkswagen a ar.
Ficha Técnica
Motor
- Código/plataforma: Volkswagen Boxer 1600 (arrefecimento a ar, traseiro);
- Configuração: 4 cilindros horizontais opostos (boxer), 2 válvulas por cilindro, comando no bloco (tuchos mecânicos);
- Alimentação: Dupla carburação (Solex/Brosol 32 PDSIT) com filtro de ar esportivo;
- Cilindrada: 1.584 cm³;
- Diâmetro x curso: 85,5 mm × 69,0 mm;
- Taxa de compressão: 8,0:1 (típico; pode variar 7,8–8,2:1);
- Potência máxima: ~ 65–68 cv (DIN) a 4.600 rpm (≈ 75–80 cv SAE);
- Torque máximo: ~ 12,0–12,5 kgfm a 3.000 rpm;
- Arrefecimento: Ar, com turbina centrífuga e radiador de óleo externo (by-pass);
- Ignição: Eletrônica/indutiva 12 V, distribuidor com avanço centrífugo e a vácuo;
- Combustível: Gasolina (Brasil).

Transmissão e Tração
- Tração: Traseira (motor traseiro longitudinal);
- Câmbio: Manual, 4 marchas, relações VW;
- Embreagem: Monodisco a seco, comando mecânico por cabo;
- Diferencial: Convencional (corona/pinhão), relação final típica 8×35 (4,375:1).
Suspensão

- Dianteira: Eixo de torção VW com braços arrastados, barras de torção, amortecedores hidráulicos telescópicos; barra estabilizadora;
- Traseira: Eixo traseiro independente por braços oscilantes/diagonais (IRS VW), barras de torção longitudinais e amortecedores hidráulicos.
Freios
- Sistema: Hidráulico, duplo circuito;
- Dianteiros: Discos sólidos;
- Traseiros: Tambores;
- Estacionamento: Mecânico, atuando nas rodas traseiras.
Direção
- Tipo: Caixa setor e rolete (mecânica);
- Diâmetro de giro: ~ 10,5–11,0 m.
Rodas e Pneus
- Rodas: Liga leve 14″ (variações de desenho conforme lote);
- Pneus (típico de fábrica): 185/70 R14 (algumas unidades com 195/70 R14 atrás).
Estrutura e Carroceria

- Chassi/base: Plataforma VW (Brasil) com reforços Puma;
- Carroceria: Fibra de vidro (PRFV) moldada, 2 portas;
- Capota (GTC): Conversível em lona, comando manual; vigias traseiras em vinil/cristal;
- Lugares: 2 (mais espaço ocasional para bagagem atrás dos bancos).
Dimensões (aprox.)
- Comprimento: 3.95–4.00 m;
- Largura: 1.64–1.68 m;
- Altura: 1.16–1.22 m (com capota);
- Entre-eixos: 2.35–2.40 m;
- Bitolas (D/T): ~ 1.36 / 1.35 m;
- Peso em ordem de marcha: 820–880 kg (conforme equipamentos).
Capacidades
- Tanque de combustível: 45–55 L (varia por fornecedor do reservatório);
- Óleo do motor: ~ 2,5–3,0 L (sem filtro externo);
- Porta-malas (dianteiro): pequeno, útil para bagagem leve (estimado 80–120 L);
Desempenho (estimativas de época, unidade original)

- Velocidade máxima: 160–170 km/h;
- 0–100 km/h: 13–15 s;
- Consumo típico: 8–12 km/L (uso misto, dependente de acerto de carburação).
Elétrica
- Sistema: 12 V;
- Gerador/alternador: Alternador ~ 50 A;
- Bateria: 12 V (45–60 Ah).
Outros itens técnicos característicos
- Posição do motor: Traseira, atrás do eixo;
- Distribuição de peso: Tendência a traseira elevada (≈ 38/62 a 40/60 F/T);
- Refrigeração de óleo: radiador adicional sob fluxo da turbina (com dutos de ar);
- Acerto Puma: comando, carburação e escapamento de fluxo mais livre em relação ao VW 1600 padrão, justificando o ganho de potência.
Aerodinâmica do Puma GTC 1984
O Puma GT Conversível, conhecido como GTC, nasceu de um projeto artesanal com forte inspiração no design europeu dos anos 70, mas adaptado à realidade mecânica e de produção brasileira.
Sua carroceria em fibra de vidro moldada (PRFV) permitia linhas mais fluidas e leves, mas, no caso da versão conversível, a aerodinâmica ficava naturalmente menos eficiente que no cupê fechado (GTE) devido à ausência do teto rígido.

Testes da época indicam que o coeficiente de arrasto (Cx) do GTC situava-se em torno de 0,44 a 0,46, um valor aceitável para esportivos artesanais da década de 80, mas superior ao cupê que ficava na faixa de 0,42.
O para-brisa inclinado ajudava a reduzir a resistência frontal, enquanto a dianteira baixa com faróis embutidos limitava a formação de bolsões de ar.
O fundo do carro, baseado na plataforma VW, não era carenado, o que gerava turbulência sob a carroceria em velocidades mais altas.
O capô dianteiro com pequenas entradas de ar laterais não tinha função de refrigeração líquida, mas auxiliava a canalização de ar para o radiador de óleo e para a ventilação interna do porta-malas dianteiro.
O peso reduzido – cerca de 850 kg – compensava parte da perda aerodinâmica, permitindo que o modelo atingisse velocidades de 160 a 170 km/h com o motor VW 1600 de dupla carburação.
Em estrada aberta, a sensação de condução “ao ar livre” e o baixo centro de gravidade favoreciam a estabilidade em curvas, mas a turbulência na cabine com a capota rebatida era perceptível acima dos 100 km/h.
Apesar das limitações técnicas, a aerodinâmica do Puma GTC era suficiente para entregar desempenho esportivo dentro dos padrões brasileiros da época, mantendo o charme e o apelo visual que consagraram a marca.
Notas

- “Puma GT Conversível 1984” é conhecido comercialmente como Puma GTC; mecânica é a mesma do Puma GTE (cupê) daquele ano, mudando a carroceria (capota de lona).
- As faixas numéricas acima refletem variações de produção e acerto (carburação/ignição) típicas de 1984, muito comuns em carros artesanais da Puma.
Catálogo de cores
Cores Sólidas
- Branco Pérola – clássico e muito usado nos conversíveis;
- Vermelho Ferrari – tom vibrante esportivo;
- Amarelo Modena – típico dos Pumas, bem chamativo;
- Azul Mônaco – azul sólido de médio a escuro;
- Preto Ônix – sólido, elegante;
- Laranja Solar – tom forte, muito visto em décadas anteriores, ainda disponível por encomenda.
Cores Metálicas
- Prata Riviera – metálico claro, bastante sofisticado;
- Cinza Grafite – metálico escuro, acabamento esportivo;
- Verde Jade Metálico – verde profundo e perolado;
- Azul Noturno Metálico – tom mais fechado e cintilante;
- Champagne Metálico – dourado claro perolado.
Acabamentos Especiais
- Dois tons – combinação de carroceria em uma cor e faixas/decalques em outra (sob encomenda);
- Faixa lateral Puma – em preto, branco ou prateado, aplicada sobre qualquer cor;
- Capota – lona preta ou bege (dependendo da cor externa).
Galeria de fotos de carros antigos










