No início da década de 1990, o mercado automotivo brasileiro ainda engatinhava no acesso a tecnologias avançadas vindas da Europa e dos Estados Unidos.

Notícias, Ficha Técnica carros e mercado carros para PCD – Natália Svetlana – Colunista
JK Carros | Editorial
Imagens Reginaldo de Campinas
Foi nesse cenário que a Ford apresentou, em 1992, um dos equipamentos mais inovadores já vistos no país: o primeiro sistema de suspensão ativa brasileiro, disponível no esportivo Escort XR3.

A novidade, que unia desempenho, conforto e segurança, colocou o modelo em destaque nas oficinas mecânicas e nas páginas das revistas especializadas.
O conceito de suspensão ativa
Ao contrário da suspensão convencional, composta por molas, amortecedores e barras estabilizadoras com funcionamento passivo, a suspensão ativa é capaz de ajustar sua rigidez e altura em tempo real.
O objetivo é manter o carro estável em qualquer condição de rodagem, reduzindo a inclinação da carroceria em curvas, otimizando a frenagem e melhorando o conforto em pisos irregulares.
No Escort XR3 1992, a Ford utilizou o sistema ACT (Automatic Controlled Tuning), desenvolvido em parceria com fornecedores internacionais.
Esse sistema usava amortecedores especiais com válvulas eletronicamente controladas, capazes de modificar a resposta da suspensão de acordo com a velocidade, tipo de terreno e movimentos da carroceria.

Funcionamento técnico
O sistema era composto por:
- Amortecedores pressurizados com controle eletrônico: recebiam sinais de uma central instalada no cofre do motor.
- Sensores de aceleração e velocidade: identificavam movimentos bruscos ou variações no asfalto.
- Módulo eletrônico ACT: processava os dados e ajustava a abertura das válvulas internas dos amortecedores em milissegundos.
- Dois modos de condução: Normal (mais macio, para conforto urbano) e Sport (mais firme, ideal para curvas e alta velocidade).
Na prática, o motorista podia sentir a carroceria mais “presa” ao chão em estradas sinuosas e mais confortável em vias esburacadas, algo inédito para um carro nacional na época.
Impacto no mercado brasileiro

O Escort XR3 1992 com suspensão ativa se posicionou como um esportivo premium, mirando consumidores exigentes.
Seu preço mais elevado e a tecnologia de ponta fizeram dele um modelo de nicho, mas com forte apelo de imagem.
Nas oficinas mecânicas especializadas, o sistema exigia cuidados extras: peças de reposição eram caras e, em muitos casos, precisavam ser importadas.
Ainda assim, o ACT tornou-se um marco tecnológico, inspirando a chegada de sistemas semelhantes em outros modelos nacionais anos depois.
Ficha técnica – Ford Escort XR3 1.8 1992 com suspensão ativa
- Motor: 1.8 AP, 4 cilindros, injeção eletrônica multiponto;
- Potência: 99 cv a 5.600 rpm;
- Torque: 15,2 kgfm a 3.000 rpm;
- Câmbio: manual de 5 marchas;
- Suspensão: dianteira McPherson, traseira eixo de torção, ambas com amortecedores eletrônicos ACT;
- Freios: discos ventilados na dianteira, tambores na traseira;
- Peso: 1.060 kg;
- Velocidade máxima: 178 km/h;
- Aceleração 0-100 km/h: 11,5 s.
Legado e curiosidades

- Foi o primeiro carro nacional com amortecedores de controle eletrônico;
- O sistema ACT era inspirado em soluções usadas por marcas como Citroën e Mercedes-Benz na Europa;
- Apenas parte da produção do XR3 1992 recebeu a suspensão ativa, tornando essas unidades raras no mercado de colecionadores.
Conclusão:
O Escort XR3 1992 com suspensão ativa foi um marco de inovação no Brasil, unindo esportividade e engenharia de ponta.
Mesmo três décadas depois, seu sistema ACT ainda desperta curiosidade entre entusiastas e profissionais de oficina mecânica, sendo lembrado como um dos capítulos mais ousados da indústria automotiva nacional.
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